quarta-feira, 21 de julho de 2021

Estilhaços

 

O som de vidros estilhaçados

Uma criança gritando descalça

 

O som de alguém rindo ao meu lado

Um riso irônico e sádico

 

O som das gotas atingindo o meu sapato

Sangue pintando meu passado

 

A mulher tampando os ouvidos descrente

O choro de uma mãe inocente

 

Ossos e cartilagens aparentes

Nada além de som e fúria

Ocasionou este incidente

terça-feira, 20 de julho de 2021

L'amour est belle

 

Você me despreza com seu olhar

Demonstra todo seu descontetamento

Sem hesitar

Me faz sentir como um peso morto

Apto a descartar

 

E no final, chora como se sentisse algum remorso

 

Mas remorso algum remove

As juras de ódio e escárnio

Que nutrimos sempre no mesmo compasso


Como num jogo interminável

Onde cada jogada, tenta inflingir mais dano ao outro


Insultos e maldições

Sentimentos esmagados

Enquantos assistiamos o domingo passar

 

O tempo vai dissolvendo

E aos poucos, vou engolindo

Tudo aquilo que tentamos guardar

 

Lentamente, nosso futuro

Deformado e distorcido

Se apresenta como um novo altar

Avesso

 Quando todo silêncio do espaço 

É encapsulado em um lapso de tempo

Quando todas as ondas do mar

Em ti deságuam ao mesmo tempo

Quando ao avesso 

Nos transformamos por completo

E de certo, nos desfazemos sem consenso


O som do mar ecoa em nossas almas

Contra a corrente

E sem nenhuma sorte 

Desenterramos nossas mentes


E torcendo contra a morte

As vezes nos deparamos com a semente


As vezes o silêncio nos consome

E leva o que temos de importante

As vezes os olhos nos contam 

O que tivemos por um instante


Quando todos os momentos

Já se tornaram parte do passado

E você já está velho demais 

Para se tornar aquilo que queria ser


As vezes, cansado de forçar

E sem nenhuma escolhar abraçar 

Um destino que não escolheu você